Já comeu universos hoje?

Eu acordei muito tarde no dia 26 de dezembro. Ou dormi muito cedo, depende de seu ponto de vista. Eu imaginava que minhas férias seriam divertidíssimas, que eu nem sequer pararia em casa, ah, que ingênua. Eu não tenho, nem amigos tão festeiros, e nem pais tão passivos. Sempre implicam com uma saída minha, mais de duas na semana e eles já começam a imaginar se eu estou me drogando, ou se deveria andar com uma camisinha no bolso.
Quanto mais tempo livre tenho, mais fico a toa. Na digníssima internet, principalmente. E no dia 26 eu fui dormir com o sol raiando, e acordei para o almoço, o almoço atrasado que meu pai fez. 20 para as quatro da tarde. Não que eu estivesse em altos abalos na madrugada, claro. Eu estava no telefone com um dos meus amigos mais fantásticos. Acho que começamos falando de cachorros, e acabamos por discutir o universo.
Meu pai pos a tina de arroz na minha frente, e meu cérebro ainda estava lento de sono. Olhei para um grão branquinho, igual a todos os outros, comum. Meu amigo disse que o universo não tinha fim. Lembrei disse olhando o grão. Ele tinha fim. Não importava quantos pequeninissímos universos houvesse dentro dele, quantas partículas, átomos, e quantos bing bangs meu pai criou ao esquentá-lo no microondas, ele tinha fim. Então o universo também deveria ter um limite. Meu amigo devia estar errado.
Desfoquei do grão de arroz. Olhei ao seu redor, havia outras centenas de grãos iguaizinhos a ele, com seus próprios mini-universos, átomos e infinitos bing bangs em algo que era tão insignificante para mim. Talvez o universo em que eu viva não passe de um grão de areia para outro universo e assim por diante. Era teoria de meu amigo, e no momento, naquela tina de arroz, vi que parecia muito certa, aquele arroz podia ter limite, mas era cercado por outros milhares. Era algo infinito. Grandioso, e ao mesmo tempo, só arroz.
- Molhinho do frango, filha? - perguntou meu pai, tapando a tina com papel alumínio e interrompendo meu autismo.
- Só um pouquinho.
Não desistam do blog por esse post sem sentido sobre universos e arroz. Eu posso não ser normal, mas aposto que Litch Weg (que eu vou acabar me referindo só como Li) ainda escreve com nexo e talento que sempre teve. (:
Reflitam mais sobre coisas pequenas e grandes, com amor, Moonday Rain.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog. Gostei muito dos post. Vou te acompanhar. Muito sucesso.
    Seguindo
    http://filhosavida.blogspot.com/

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