Jardim.

Grandes histórias dependem de pequenos momentos, mas os pequenos momentos não necessariamente precisam fazer parte de grandes histórias. Coisas insignificantes como a cor que o céu está, porque a areia é branca e qual é a utilidade das maçanetas não deveriam passar despercebidas aos olhos normalmente apressados, mas sempre curiosos, de nós, reles humanos.
O tamanho e a importância de determinadas coisas são sempre relativas. Uma joaninha pode ser pequena em relação à uma casa, mas é grande quando comparada à um cristal de sal. E assim deve ser com a vida: pequenos momentos só são pequenos porque, cedo ou tarde, outros momentos maiores tomam seus lugares, e, por bem ou por mal, esquecemos dos pequenos momentos, que aconteceram primeiro que àqueles a que damos atenção.
E, para quem tem muitos grandes momentos, um pequeno momento não faz diferença. Mas, para aqueles cuja a vida (ou os grandes momenos) são raros, coisas diminuídas pelos mais favorecidos são realmente importantes. Para quem tem um jardim cheio de flores, a morte de uma rosa nada mais é do mais uma. Porém, para aqueles que passam a vida cultivando uma última flor, quando esta morre, nada lhe sobra.
É concedido à nós, não importando a sua crença ou a sua descrença, uma vida. Podem vir outras depois; podem ter vindo outras antes; pode não ser só essa. Fazer dela uma grande vida nada mais é do que fazer dela uma vida cheia de pequenas vidas, que a cercam, iluminam, atrapalham e fazem ser possível.
Notar as pequenas coisas faz do mundo um lugar diferente, talvez mais até bonito. Não importa se tudo está dando errado, porque o dia lá fora está maravilhoso, e as flores estão nascendo. E que o dia esteja feio, que beleza não há em um céu nublado, em uma gota de chuva?
Pensar sobre isso chega a ser chato, de tão interessante. E vocês provavelmente vão ler isso e pensar: "Tá, e daí?". E, nos nossos olhos de meros mortais, na nossa mente de meros mortais, esse post será somente lido, e não interpretado; será apenas gravado (ainda assim não por inteiro), e não entendido. Mas, um dia, talvez o interpretemos, o entendamos. Temos, quem sabe, tempo.

"Há milhões e milhões de anos que as flores produzem espinhos. Há milhões e milhões de anos que, apesar disso, os carneiros as comem. E não será importante procurar saber por que elas perdem tanto tempo produzindo espinhos inúteis?" (O Pequeno Príncipe.)

Com um pouco de amor, porque eu não sou lá tão carinhosa, e com bastantes pedidos de reflexão sobre o post, Litch, ou, como eu já sei que vai acabar sendo, Li.


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