Velhos costumes.

Prosa vai, prosa vem. Não sei se esse puto do Bahia sabe do que está falando, eu não estava concentrado nele. Bahia fala demais.
Olho para rua de novo. Um dos meus filhos, o terceiro, vem me buscar daqui a pouco. O quanto será que as meninas cresceram? Minha neta ainda gosta tanto de ler quanto eu lembrava? A mais nova falava errado, trocava os erres.
A prosa está boa, mas confesso que para um homem como eu, ainda fico um pouco ansioso com isso. Vivi muito, bebi muito, transei muito, traí muito, briguei muito, e (odeio fazer retrospectiva da minha vida, me faz parecer velho) lamento não ter achado um espaço maior para a família nessa agenda.
Lembro da menina Thassiane, agora, a esperta Thassiane. Depois que abandonei minha primeira casa, e conheci a avó dela, depois que ela se acostumou comigo e me contou sobre a escolinha. O momento único em que seus olhinhos negros, mais tão negros, mais negros que o preto do Bahia, olhavam para mim e ela me chamava de 'vovô'. Tinha sete anos, e sabia, com sua inteligência anormal, que eu não tinha um parentesco de verdade com ela. Ela queria ser médica. Thassiane aos alto de seus sete anos decidira que queria ser médica da marinha.
Sorrio. Eu tinha que comprar alguns livros para Thassiane. Não podemos dizer que a minha separação com a avó dela, aquele nega maluca, tenha sido totalmente amigável, mas vou armar o barraco se não me deixar falar com a menina. Ao menos entregar o presente.
A cachaça está boa, e seu cheiro empregnado na minha roupa, a melhor roupa que tinha no meu armário. Uma camisa azul-turquesa, e uma bermuda quadriculada, presente de meu neto, que pensa mais no próprio cabelo do que muitas mulheres que namorei. Vou fumar só mais um cigarro, não quero entrar no carro do meu filho cheirando a fumaça, ele sempre odiou isso, desde moleque. E agora era ele o homem, pai de família.
Sorrio de novo. Era um moleque que sempre arrumava confusão na rua. Nenhuma por meninas, essas caíam em cima do meu filho como chuva, mas por amigos, uma coisa muito nobre, que gosto de pensar que ele puxou de mim.
Apenas mais um cigarro. "Essa coisa vai te matar" me diziam alguns. Bem, não conseguiu até hoje. Continuo fumando. Não tenho pena de mim, não sou um pobre coitado. O bar ainda abre, as cadeiras o Zé acabou de trocar e a bebida é barata. Já criei filho. Já casei com mulher. Tive a vida que tive e tô feliz assim, afinal, minha vida ainda não acabou (e está longe disso, vejam só!), ainda posso fazer muita coisa por aí. Mas sem trabalhar...
- Alexandre, depois de velho está preguiçoso?
- No que isso te diz respeito, Bahia, seu puto? - retruquei, calmamente, soltando de leve mais uma baforada. Nem tinha percebido que falei em voz alta.
Meus olhos pesam, a visão mescla, e eu não sei se aquele é mesmo o carro do meu filho, mas não vou comprar um óculos. Me deixam com cara de imbecil.
- Pai! - gritam-me.
Entro no carro, indo fazer uma visita a segunda de minhas filhas, que já é avó de três. Dela tenho pena. Bahia entra com seu gingado nordestino, seu jeito tímido. Deparo-me com uma mulher no banco da frente, e me pergunto se meu filho casou de novo sem eu saber. Esta mulher é mais branca, mais pálida.
- Oi, vô. - me diz tímida.
Impressionante. Minha neta, aquele anjinho que rabiscava livros, por que tinha vontade de lê-los mas não sabia, se tornara uma mulher da noite para o dia. Sua irmã já está com doze anos, e seu corpo já está mudando. Seu cabelo está esquisito, e já não fala trocando os erres. Fala direitinho, como eu e você. Como se já fosse gente, esse pingo.
- Não dá para piscar nessa vida, meu caro, não dá. - zombou Bahia.

6 comentários:

  1. O blog ta legal, os textos são bons, mas uma dica, troca esse tema.

    gostei do post

    esse é meu blog http://isakdecastro.blogspot.com

    to seguindo, volto depois...

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  2. é, estamos tentando mesmo mudar o tema. kkkkk esperamos conseguir em breve.

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  3. Nós, a Li principalmente bem que estamos tentando. DE-TES-TO mexer em html, procurando alguém que saiba.

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  4. haha. o assunto qui nem é o texto.. mais tipo nem precisa muito.. da p fazer o basico .. so colocar uma cor mais escuro no fundo da postagem.. umas mudançinhas aqui e ali.. ^^
    Ha aconselho colocar merosmortais.blospot.com so que esse nome gigante..
    enfim..

    é nessa vida nao da p piscar sem que esses miseros segundos nao aconteça algo.oo vida dificl.. mais faz parte ne.

    Feliz ano novo \o/

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  5. Pamela, a gente vai mudar esse design. KKK e o endereço "merosmortais" já tem. nós tentamos. k

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  6. recomendação seguida Pamela, valeu.

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