Magrelas, cheguem para lá.

Ali estava eu, esparramada na cama da minha prima, com uma pilha de revistas 'Gloss', algumas 'Criativa' e uma Época infelizmente com Michel Teló na capa. Quando a preguiça te atinge de tal forma, você não tem mais muito o que fazer do que deitar da forma mais confortável possível, e ler matéria após matéria de assuntos que dificilmente te interessariam.
Depressão pós-parto. Insônia. Musas de escola de samba (as revistas datavam desde fevereiro do ano retrassado). E eu até dei uma de cult lendo toda uma entrevista de Umberto Eco, onde ele dava suas opiniões sobre tudo, e citava pelo menos 15 nomes de gente tão ilustre quanto ele, que eu só reconheci 'Dan Brown'. E ele falava mal de Dan Brown, o que me deu uma desilusão enorme. Eu achava o cara um gênio.
Em algum momento, e eu não me lembro em qual revista, tinha um mini entrevista com uma stylist (ou eu não devia dizer 'estilista'? Ah, a doce influência americana.) brasileira, que havia sido modelo bem sucedida, mas iniciava uma nova fase de sua vida com um programa de moda na França.
Um programa estilo 'Esquadrão da Moda'. Só que na França, onde as pessoas pagavam um pau mil vezes maior para quem se vestia bem. O que, na minha opinião, devia ser no mínimo triplamente irritante.
Enfim, ela tinha lançado também livros, ajudando no assunto. E respondia em uma das perguntas como mulheres gordas deviam se vestir.
"Gordinhas não podem usar roupas justas, curtas ou brilhos. Nem cores chamativas, drapeados e decotes aprofundados. Prefira as cores opacas e os decotes quadrados."
Aquilo me atingiu pessoalmente, por que sempre fui gorda a minha vida inteira. E alta também. A última da fila. Só agora, aos quinze anos me encontro numa paz instável com meu corpo manequim 40/42. Ela chamava de gorda quem usava 44/46.
Segundo, eu fiquei pensando quem ela era para ditar assim o que as pessoas deviam usar, quem ela era para dizer que 'não podiam', como se fosse proibido, ou contra a lei. O jeito que ela falou, ainda mais não sendo uma gorda para se por no papel de uma, me irritou demais.
Ninguém limita assim pessoas magras. E me dá um ódio genuíno quando dizem que não posso alguma coisa.
Amiga, se você quiser usar decote princesa (o meu preferido), reto, V, USE! Ninguém tem nada com isso, nem com o seu peso, você paga suas contas, você vive sua vida, você é dona do seu nariz.
Se você quiser usar dourado, prateado beeeeem brilhante, verde fluorescente, que seja. Drapeado, bem justo. Ninguém tem nada com isso. E se olharem, e não gostarem, que se foda a opinião deles, você gosta. Você usa. Você é você.
Eu não odeio a moda. É um ramo bonito, criativo, um estilista é um artista se expressando através de tecidos, cortes e combinações como um escritor através de suas palavras. Eu só não concordo nada com essa ditadura, e intolerância que cerca quem não está 'in'.
Eu não consigo passear pela rua julgando cada roupa que vejo outra pessoa vestir. Se eu não me vestiria assim, problema é meu. Eu não tenha nada a ver com a pessoa que está vestindo, e seria imbecilidade julgá-la por algo tão fútil.
Roupa é só roupa, minha gente. Por que diabos se importam tanto?

PS.: Lembrei de uma blogueira, que eu não sei se me segue, ou não, que seja. Que postou que uma de suas resoluções de ano novo era engordar. Lembranças, Lilly. rs

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