Pai.

Pode parecer que eu não me importo, e que eu simplesmente não gosto de te ter por perto. Que não gosto que você leia as coisas que eu escrevo, que não gosto que você brinque comigo, que não gosto de te aprensentar aos meus amigos, que eu tenho vergonha de você.
Mas a verdade é que eu me importo tanto que tenho medo de parecer intensa demais, e eu gosto tanto da sua companhia que eu não saberia viver sem ela, se não me obrigasse à tanto. E eu não te deixo ler o que eu escrevo porque toda e qualquer crítica que viesse de você me destruiria tanto que eu não saberia por onde recomeçar. Não brinco tanto com você porque isso é meu; eu não sei ser carinhosa, amorosa, a filha que você gostaria que eu fosse, não importa o quanto eu tente, o quanto eu queira. E, acredite, eu quero e tento muito. Tenho total orgulho em não só te apresentar aos meus amigos, mas deixar claro que você é tudo para mim, que eu me orgulho de você exatamente como você é, e que tudo o que você faz é perfeito aos meus olhos.
Eu te amo mais do que tudo, e sinto muito mesmo se não sei como mostrar isso. Sinto muito se deixo faltar tantas coisas para você, se não sou a filha que você esperava, se tenho medo de te decepcionar. Eu venho lutando contra isso há uns bons anos, e sinto muito se o meu progresso é lento aos seus olhos, ou se você não o nota.
Só queria saber provar para você que tudo na minha vida tem como primeiro propósito agradar a você, e se eu não te deixo ver isso é por medo de que ainda não seja bom o suficiente. Então eu tento mais, e mais, e mais, e mais... Até não ser mais possível tentar E aí parece ser tarde demais para tentar te mostrar o que quer que eu tenha passado tanto tempo trabalhando para conseguir.
Sinto muito. Eu te amo. E, por favor, não me abandone.

11 comentários:

  1. Texto bonito. Define bem as relações que nós vemos entre pais e filhos. Ninguém quer dar o braço a torcer mais no final guardamos todos no peito.

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  2. Por que será que nós costumamos ter medo ou vergonha de nos mostrarmos por completo aos nossos pais? Será que Freud explica isso?
    Você definiu muito bem os sentimentos mesclados que sentimentos perante o ser que nos gerou. Amei o texto. *-*
    Você escreve bem, eu gostei bastante daqui. Estou seguindo. Bjo.

    http://miasodre.blogspot.com/

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  3. Pai, figura marcante na minha vida!
    O meu faleceu em 2010 e sinto muita falta dele!
    Valorizem o máximo que puderem as pessoas que amam!

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  4. Por medo de amar, não amamos...
    A gente é muito complicado mesmo.
    Eu tinha problemas graves de relacionamento com meu velho, mas agora estou passando por cima do meu orgulho e o do dele pra me resolver comigo. Ou não teria nunca paz.
    Escrevo muito sobre ele e aos poucos resolvi mudar as coisas entre nós.
    Espero que consiga o mesmo.
    Beijão!

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  5. Obrigada pelos comentários, povo. (: E que bom que vocês simpatizaram com o tema, haha. Flávio, eu tenho tentado fazer isso, mas tem vezes que simplesmente não dá. ):

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Só eu tenho um amor incondicional pelo meu pai, e problemas quase diários com a minha MÃE? Então tá né rs

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  8. Ter diferenças com um, com outro, ou até com ambos é normal.
    Na maioria das vezes é rebeldia nossa ou falta de confiança deles. Questões de orgulho e vaidade que todo ser humano tem.
    Não pode é partir pra ignorância como fizemos algumas vezes e quase pusemos tudo a perder pra sempre...
    Aprendi aos 35 anos que ficar em silêncio não significa que acato ou concordo com as ideias dele. Se ele pensa assim, paciência. Ele tem as limitações dele como eu tenho as minhas. Se ele não consegue mais mudar eu posso pelo menos tolerar as coisas.
    Beijão!

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  9. Vou seguir as recomendações, com certeza. E eu tenho que aprender a controlar a minha boca, porque nós dois somos esquentados. Qualquer dia vamos acabar brigando sério. ):

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  10. Desculpe ser repetitivo, mas talvez ajude:

    http://texticuloscronicos.blogspot.com/2011/12/nos-vencemos-juntos.html

    http://texticuloscronicos.blogspot.com/2011/11/sera-que-e-orgulho-sera-que-e-nosso.html

    Beijão!

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  11. Injusto, Flávio, eu quem deveria comover os leitores, e não o contrário. Chorei horrores com o primeiro post, e, acredite, não é fácil me fazer chorar, e o segundo link é exatamente como somos. É confortável saber que alguém compreende exatamente como é a minha dor, então, obrigada. (:

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