2/4: Amor Em Pingos De Chuva.


Já fazia algum tempo desde que as primeiras gotas de chuva haviam começado a cair, marcando o início definitivo do outono, embora as temperaturas ainda estivessem relativamente altas. 
O baile escolar daquela estação seria dali quatro horas, e Samanta ainda não estava preparada. Precisava escolher entre dois vestidos, e essa era uma decisão importante, posto que toda a sua turma (e isso incluia Felipe Torres, um loirinho com jeito de malando que era super meigo e, por alguma razão, despertava frios na barriga e coração acelerado toda vez que seus olhares se cruzavam) a veria.
Acabou por escolher o segundo, que destacava mais as suas curvas já acentuadas para os poucos quinze anos. Calçou os sapatos levemente altos e fez a maquiagem típica: olhos escuros, boca nude. Não demorou para arrumar o cabelo, que já era perfeito por si só, e estava pronta.
Entrou no carro e os pais a deixaram em frente à escola, com a promessa de que ela estaria do lado de fora às duas em ponto. Respirou fundo e, com toda coragem que lhe restava (e nem era muita, devo dizer), abriu a porta e adentrou no ginásio decorado.


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Passava das onze quando tocou a primeira música lenta. Sam estava em uma das mesas de toalha azul e branca com a amiga e seu respectivo namorado. Claro que, quando o DJ anunciou a mudança de ritmo, ela acabou ficando com duas cadeiras vazias. Típico.
Felipe ainda não tinha falado com ela, o que incomodava bastante, mas, por orgulho ou talvez por medo, ela também não falaria com ele. Devia até ser melhor assim. Ele não gostava dela, de todo jeito...
Procurou se distrair, mas não conseguiu. Levantou-se e foi até o bar beber alguma coisa. Pediu uma coca, porque não se dava muito bem com o álcool, e, ao se virar, seus olhos bateram nos dele.
— Oi. — O garoto sorriu, meio abobalhado. 
— Oi. — Ela respondeu, tremendo. Como se respirava, mesmo?
— Quer dançar?
Não havia outra resposta além da óbvia.

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Conversaram durante as horas restantes, tanto na pista de dança quanto na mesa (agora com uma cadeira a mais). Conheceram-se de verdade, e, entre um "eu não consigo comer abacaxi" e um "meu pé é horrível, para de olhar pra ele", o coração de Samanta ia crescendo. 
Dada a hora de ir embora, a garota se despediu com dois beijos, um em cada bochecha, e ele se ofereceu para acompanhá-la até a saída. No corredor, assunto vai, assunto vem, e eles nunca que falavam nada de interessante.
— Foi bem legal dançar com você.  Felipe disse, e sorriu.
— Idem.  As bochechas de Samanta ficaram mais do que rubras.
— Olha, Sam, na boa... Eu achei que fosse dar pra ignorar, mas...  Ele parou de andar, e segurou a garota pelo braço.  Não dá. 
E, num impulso, seus lábios estavam grudados. 
Era como se todo o mundo fosse pouco para tanta felicidade. O tempo parecia ter parado, e o calor indispensável subiu pelo corpo da garota, chegando até sua nuca e arrepiando-a. Suas línguas dançavam, em sincronia, e ela não podia deixar de sentir como se aquele corredor fosse o Paraíso.
Afastaram-se e, durante dois segundos, o silêncio reinou.
— Eu... Preciso ir. — Samanta falou, agitando-se. 
— Ok. — Felipe assentiu, conformado. Estava feliz.
A garota sorriu e começou a andar, apressada. 
— Sam! — Ele chamou. 
— Fala. — Ela se virou. 
— Te ligo amanhã.
Samanta sorriu novamente, completamente sem graça, e correu para fora, porque já passava das duas e começara a chover. 




4 comentários:

  1. simplesmente maravilhoso. uma história
    romântica.gostei tanto que acho que você
    deveria dar continuação a ela até escrever
    um livro.parabéns e sucesso amigo.

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  2. Lindo, lindo demais o texto. E ai, ligou? =) curiosa rsrs.

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  3. Gostei!
    O título me faz lembrar aquela música fofa que o Kid Abelha gravou:
    "Vai chover pingos de amor (8)" xD
    Bailes escolares me lembram aqueles filmes que adoro xD
    Ah! Também sou a favor da continuação!
    Muito obrigada por visitar meu cantinho ^^

    ...beijinhos***

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  4. Tenho vontade de ir em algum baile assim, vestido a caráter, com ponche, música lenta. Deve ser tão bom.

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