Beleza opcional.


A mão esquerda congela, fria como uma pedra de gelo, seus dedos já a incomodam. A direita desliza pelo braço esquerdo, cruzado nas costas, acariciando o band-aid, próximo a dobra do cotovelo esquerdo. O band-aid vai cair, merda. Vão achá-la mais esquisita do que realmente é. Ela se cotou de novo, e não sabe dizer se valeu a pena, se aliviou de verdade a dor. E junto com o corte, de quebra descumpriu a promessa que tinha feito a melhor amiga. Nunca mais iriam se cortar. Era idiotice pseudo-emo.
Mas também não imaginava que motivos a amiga teria para voltar a se cortar. Quer dizer, estava feliz agora, vida nova, namorado perfeito. E toda a atenção voltada ao namorado perfeito. Ela não queria culpar a amiga (esta merecia felicidade), mas tinha que confessar que a tinham abandonado. Nem notaram o quanto ela precisava de atenção. Que seja, ela não iria dar uma de fraca agora.
Atrás dela, no meio da sala, uma professora de matemática tentava resolver um problema relativamente fácil. Então, se levantou e deixou que a professora, de no máximo 25 anos, resolvesse os cálculos sozinha, até ter certeza do que poderia ensinar a ela.
Aprendera no último colégio, que professores de matemática odeiam pressão encima de algo que os desafie. Incrivelmente, sentia falta até dos professores de matemática da antiga escola.
Grudou a testa no vidro da janela. Era meio da tarde, duas horas, duas e meia, os carros passavam pela Avenida apressados, ela mira a árvore lá fora.
As folhas brincam com o vento, e fazem um cenário lindo com o céu límpido no fundo, azul cintilante, a luz livre de prédios, banhando tudo (até aquela Avenida tão alheia a cena) do mais profundo dourado.
- Acho que... não... - sussurra a professorinha atrás dela.
Estavam sozinhas, numa espécie de aula extra que ninguém mais compareceu, ela fora, claro, por que não tinha amigos com quem tomar um sorvete ou ir a praia depois da aula. Acostumara-se a ficar até 12 horas por dia fora de casa, e mesmo que fosse resolvendo matemática, nada parecia normal quando voltava para casa.
'Voltar para casa...' Ela debochou do pensamento. Jamais voltaria para sua verdadeira casa, pois esta consistia na sensação de conforto puro que era estar junto de quem ela amava. E esses anjos estavam espalhados lá fora. Voando cada um na direção de seu sonho, se destino, agora separados.
Por que só ela era incapaz de abrir grandes asas brancas, quebrar a janela de vidro, assustando a professorinha e voar em direção as nuvens com um sorriso?
Mais carros passavam pela Avenida.
De repente, algo em sua nuca formigou. Algo escondido no balançar das folhas, coberto pela saudade que devastava seu peito. Algo talvez relacionado com aquela sensação gélida na barriga, porém quente na garganta, de não pertencer a este lugar. A sensação de não pertencer a parte alguma do mundo no momento.
Aquele formigamento era beleza. Isto mesmo, algo de estranho dizia a ela que havia beleza em toda aquela cena, havia nobreza de todos seus sentimentos.
Decidam por você, se acharam beleza. Ela sentiu, mas riu de si mesma, decidiu que escreveria tudo depois, mas não acreditava que alguém fosse gostar desse post.
"Saíam daqui e vão ler algo melhor."
- Achei! O teorema é simples...
A beleza se esgota, repentina como apareceu. Vamos calcular alguma coisa.

3 comentários:

  1. Olá!

    Vim avisar que tenho um selo pra vc lá no meu blog, passa lá pra pegar, ok?!

    Beijos. =)

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  2. Pois é flor!
    Tbm tinha madeixas super compridas, mas cortei devido ao ressecamento das mechas!
    Estou com ele na altura dos ombros, mas... não vejo a hora deles crescerem logo!
    hehe!

    Segue lá!
    beijos

    http://ahcuriosaa.blogspot.com

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  3. Ai meu Deus, que espaço mais lindo. Querida, amei seu blog, os posts, a proposta dos assuntos. TUDOOO. Já estou te seguindo. Se puder, dá um pulinho no meu e me segue de volta. Beijos.

    www.camilavasconcelos.com

    CV.

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