Carta de Amor.



A noite está caindo lá fora, e, junto com ela, o sol vai embora. As estrelas começam a brilhar quando a lua chega no topo do céu, branca e linda, e as ruas ficam mais desertas conforme escurece. Está gelado, mas os termômetros não marcam uma temperatura assim tão baixa. Talvez seja só coisa da sua cabeça.
Deitada na cama, enrolada no seu edredom grosso e com os livros de química no colo, você já parou de pensar sobre a tabela periódica há muito tempo. Sua mente agora está envolta em uma única pessoa, com seu “tanquinho tímido”, seu “sorriso bobo” e sua voz que, honestamente, faz com que você tenha que se controlar para não beijá-lo de imediato.
Ô, pequena... Quando foi que ele conseguiu fazer isso com você? Quando foi que o toque te arrepiou, que a voz te animou, que o cheiro te fez sentir vontade de enterrar seu rosto entre o pescoço e o casaco dele e ficar ali, para sempre? Quando foi que seu coração se acelerou tanto que você soube, sem dúvidas, que estava apaixonada? E como foi que ele conseguiu fazer isso acontecer?
Você se lembra bem, não é? Como se fosse ontem. Lembra do jogo de uno, lembra do jeito como ele te chamou, lembra da primeira vez que deram as mãos, do passeio até a praia, da volta de bicicleta (que te deixou sorrindo abobalhadamente pelo menos um bom tempo), do filme de terror, do carinho na sua perna... Você se lembra de tudo.
E sorri com tudo.
Um sorriso sofrido e encantado ao mesmo tempo, de quem sabe que acabou – que tem quase certeza –, mas ainda tem aquela esperançazinha de que vá voltar. Aquela faísca no coração de quem ainda vai receber um sms durante a madrugada dizendo alguma bobagem, que vai ganhar um abraço apertado e um “que saudade” na próxima visita, que vai sentir de novo aquela coisinha de não querer mais sair de perto dele assim que o vir e ele sorrir.
É tão triste, pequena, que tenha acontecido desse jeito... Não só pra você, mas para todo mundo. Vocês dois são aquelas pessoinhas que “todo mundo acha que se gostavam”, mas nunca ficaram juntas efetivamente. Mas já eram um casal.
Você não está muito bem, agora. Talvez devesse parar de pensar nisso tudo. A noite lá fora é misteriosa e envolvente, e o frio faz suas pálpebras pesarem. Vai dormir, pequena. O amanhã te aguarda, e, como dizem, “tudo vai ficar bem depois que o sol nascer”.  

(Não sei se posso chamar esse texto de meu, então digamos que os créditos tem que ser compartilhados. Digo isso porque eu o escrevi a partir de uma carta não enviada de uma amiga minha para um garoto, durante a madrugada. Tudo o que eu fiz foi passar os sentimentos dela para cá. E não, isso não confere à mim todos os créditos, porque certamente teria escrito nada se ela não tivesse começado. É curto e simples, mas significa o mundo, tanto pra ela quanto pra mim. À minha Pscicóloga, então, porque é tudo culpa dela.)

Um comentário:

  1. Parabéns pelo Blog, gostei dele e em particular da escrita.
    Aproveito para te convidar a veres o meu, http://www.devaneiosdevida.blogspot.com/, é multemático, pois eu gosto de falar um pouco de tudo e aproveita e vê algumas imagens deste pequeno país mas grande na alma que é Portugal. E sempre podes tambémn deixar por lá um comentário.
    Cumprimentos

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