Escuridão de Deus.

Olhava em volta, agitada, procurando um ponto fixo, um diferencial em toda aquela escuridão. Uma luz prateada que gritasse "Há vida aqui! Há vida aqui!", pedindo (clamando!) para que ela não desistisse ainda. Dava um, dois, três passos para trás e tropeçava em seus próprios pés. Rolava até um canto da parede negra, tocava-a e, ela tinha certeza, algo a tocava de volta. Cutucava. Machucava a sua pele. Se um dia encontrasse luz suficiente para ver seu corpo novamente, estaria coberta de hematomas. Toda aquela negritude a estava enlouquecendo.
Sua garganta estava sufocando, ela podia sentir. Tudo ficava menor, mais apertado e mais escuro. Quanto mais crescia no seu coração puro de criança o medo, mais evoluía em volta do seu corpo frágil e machucado o nada. Perderia sua mente e o resto da sua capacidade de manter-se calma naquele labirinto negro, naquele quarto sombrio. Tinha a sensação constante de que não havia uma saída.
Olhos a observavam, doentios, sedentos pela sua redenção. Oh! Não daria a eles esse prazer. Precisava continuar procurando uma saída. Mas não podia confiar nas paredes, nem no chão, nem no teto, nem no ar. Estava inalando veneno. A Morte a estava esperando do outro lado daquela imensidão invisível. Chamando. Ouvindo. Querendo. 
Que ficasse lá! Que apodrecesse e tivesse que carregar sua própria alma em seus braços cobertos pelo vestido negro! Não morreria. Não daria esse prazer àqueles que a perturbavam e a desejavam. Não sucumbiria. Pânico. E tudo já era ondulado naquele quartinho sem dia. 
Ajoelhou-se. Juntou as duas mãos, entrelaçando os dedos e apertando-os uns contra os outros. Fechou os olhos e tocou a própria testa. "Pai, Filho, Espírito Santo", sussurrou baixinho. E rezou. Pela primeira vez em muito tempo, rezou com todas as suas forças, com todo o seu coração. Pediu à Deus que a livrasse daquele mal, daquele pânico súbito que lhe corroía os ossos e a carne. Com todos os seus pulmões e toda a sua fé, louvou ao Senhor pelo que pareceu durar uma eternidade. Mas jamais poderia saber, porque, ali dentro, o tempo não passava.
Sentiu próximo aos olhos o sopro quente de uma brisa de verão, e seu cérebro avisou que uma luz começava a exisitr. Arriscou abrir um olho só e, quando viu a chama alaranjada dançar sobre a vela branca, foi tomada por uma paz estranhamente confortável. Estava em casa. A escuridão era, agora, sua amiga. Não havia nada para temer naquele quarto horrível.
Tocou a chama com a ponta dos dedos e uma mão a tocou de volta. Incendiou. Sentiu cada nervo do seu corpo fritar, sem escolha, e sorriu ao ser abraçada pela chama que estalava seus ossos. Prazer. Era imbatível em seu momento de glória, seu momento de louvor. Acariciaram-lhe o rosto angelicalmente. 
"Olá, Pai.", falou baixinho. 
E então a escuridão a engoliu.

(É um texto confuso, mesmo. Não quero dizer o que eu tentei fazer. Vamos ver se vocês descobrem. Feliz sexta-feira 13, povo.)

5 comentários:

  1. É minha primeira vez aqui e .. foi bem impactante digamos.me lembrou um texto meu chamado "Cativeiro".E mesmo um pouco confuso eu gostei muito do que você escreveu e como escreveu.Foi intenso e real.Oscilação entre a quase morte sofrida e sombria e a morte redentora, da salvação.A ilusão da escuridão o ajoelhar-se para se redimir e assumir a necessidade de uma ajuda maior e a resposta que ilumina e acolhe mesmo parecendo levá-la a escuridão de novo.Só espero que explique o que ao certo você quis escrever.rs
    Espero que minhas supeitas estejam certas.rs

    Beijos.

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  2. Oi, estou visitando todos os Blogs que eu sigo para pedir uma forçinha. Estou divulgando o 1° sorteio do Ah! Curiosa e gostaria muito que pudesse participar. E aí, topa?

    http://www.ahcuriosa.com/2012/07/sorteio-lavanda-classic.html

    Beijos e um ótimo Domingo!!

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  3. Bom, estou chegando meio que intrometida, meio que sem ser chamada. Vim responder uma pergunta que nem ao menos foi feita. Num comentário feito no blog do Steve (http://meuuniversopeculiar.blogspot.com.br/ ) você disse que o Facebook estava mais para divulgação de Tumblr... Não discordo totalmente, mas tem um grupo em especial que é focado na divulgação de blogs. Espaço organizado, com uma galera legal que quer conhecer bons blogs.
    Neste momento gostaria de te convidar a participar do grupo. Garanto que é mais eficiente que as comunidades do Orkut... E ficaríamos honrados com sua presença. Chame seus amigos e nos encontre lá.
    P.S.: Desculpe pelo comentário sem relação com a postagem. Li o texto e gostei, você tem talento garota. Já estou seguindo. (Deixo também o link de meu blog caso queira visitá-lo)
    http://www.facebook.com/groups/310688812354166/
    http://daquioitentaanos.blogspot.com.br/

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