Morte da escritora.

Quando eu parei de escrever, foi como morrer.
Quer dizer, não literalmente, jamais poderia saber, nunca morri. Lembro-me de quando eu perguntava a minha mãe como era morrer, e ela respondia "sei lá, nunca ninguém voltou para contar". Gente morta se torna egoísta. Deve ficar tão surpreso, contemplado ou decepcionado, que esquece as curiosidades dos vivos.
Enfim, eu parei de escrever, desisti dos meus sonhos. E foi horrível, foi como sufocar e a cada dia me sentir mais insuficiente, mais nada. Foi como ser só carne e ossos, amontoados, organizados. Mas sem um propósito, sem um foco, sem algo pelo que acordar toda a manhã além da obrigação.
Não consigo lembrar de muitos momentos memoráveis durante este período, de uma risada mais sincera, ou de um abraço diferente. Talvez lembrasse caso escrevesse.
Queria perguntar agora para quem tem, ou tinha (como eu), o costume de escrever tanto: Vocês se releem?
Já releram algo que escreveram alguma vez? Já voltaram ao sentimento ali escrito? A todas as vontades, a toda realidade em que você estava inserido quando escolheu aquelas palavras?
Quase toda vez que faço isto, sofro de decepção. Decepcionei quase todas as minhas eus passadas. Esperavam mais de mim.
Enfim, (parágrafo começando igual) além de sufocar, desaprendi a escrever. Desaprendi a guiar crônicas, e a manter a atenção do leitor, desaprendi a manter minhas ideias minimamente interessantes, ou organizá-las de forma a gerar uma identificação com quem está lendo.
Esse texto fede, e eu sei, perdão. Tapem os narizes.
Eu poderia me prolongar muito, explicar durante muitas linhas a sensação de não escrever, esquecer projetos, e rir desgostosamente de sonhos. Sabem o que é sentir-se sempre a superfície de si mesmo? Como se estivesse em modo automático, que nem no filme Click? Não expliquei quase nada aqui, mas espero que façam alguma ideia.
E a todos que leram até aqui, perdão. Perdão mesmo. Foram só palavras jogadas, desabafos mal feitos e não um texto que tenha merecido o tempo de sua vida. De qualquer forma, obrigada.

Ah, Amanda, eu odiei o template. Estrelas rabiscadinhas? Sério?

2 comentários:

  1. Em minha defesa, era só algo pra preencher o fundo branco enquanto você não decidia voltar.

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  2. Os mortos voltam pra contar com muito mais frequência que se pode imaginar... É os escuto...rs Mas de fato, tem coisa muito mais interessante pra fazer do lado de lá.
    Quanto a mim, morro quando paro um pouco de sonhar. O que não vivo, o que sonho, construo escrevendo.
    Beijo grande.

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